Por que a escolha do tecido é decisiva para a estética e a durabilidade dos estofados
Um tecido nunca é apenas “revestimento”. Em estofados, ele é parte do desenho: define como a luz reage, como o volume é percebido, como a superfície convida ao toque e, principalmente, como a peça atravessa o tempo. A escolha do tecido impacta diretamente o conforto sensorial e a longevidade estética, dois pilares que, no alto padrão, caminham juntos.
Nos últimos anos, texturas táteis ganharam protagonismo no design de interiores, e 2026 tende a consolidar esse movimento com ainda mais intenção. Leituras editoriais e análises de comportamento apontam que o interesse por superfícies com “sensação de mão”, relevo e presença visual está ligado a uma busca por ambientes mais humanos, acolhedores e sensoriais. Trata-se de uma resposta ao excesso de superfícies lisas, frias e excessivamente técnicas que marcaram certos ciclos do design contemporâneo.

No sofá "4 Estações" o bouclé acompanha a tendência com matéria pensada para durar.
Dentro desse cenário, o bouclé aparece como um dos símbolos dessa estética tátil, mas com uma mudança importante de abordagem. Após um período de forte exposição, as tendências indicam que ele passa a ser usado com mais critério e curadoria: menos como elemento dominante e mais como recurso de composição. Isso significa pensar o bouclé em diálogo com volumes, proporções e outros materiais, evitando repetições automáticas e apostando em leituras mais atemporais.
No entanto, estética isolada não sustenta o uso cotidiano. Para estofados, especialmente em livings contemporâneos, o desempenho do tecido é tão relevante quanto sua aparência. Resistência à abrasão, estabilidade dimensional, comportamento da trama com o uso prolongado, facilidade de manutenção e resposta à luz natural são fatores decisivos para que a peça mantenha sua integridade visual ao longo dos anos.
É nesse ponto que o equilíbrio entre beleza e desempenho se torna essencial. A textura pode (e deve) ser protagonista, mas precisa estar adequada ao contexto do projeto: rotina da casa, intensidade de uso, presença de crianças ou pets, incidência solar e expectativa de envelhecimento da peça. Quando a especificação é bem conduzida, o tecido não apenas resiste ao tempo, mas amadurece com ele, ganhando caráter e profundidade.
Mais do que seguir tendências, escolher tecidos para estofados em 2026 é um exercício de leitura sensível do espaço e do modo de viver. A longevidade, nesse cenário, deixa de ser apenas técnica e passa a ser também estética: a capacidade de uma superfície continuar relevante, confortável e visualmente interessante mesmo depois de anos de uso.
Quando tecido, forma e função trabalham juntos, o estofado deixa de ser um elemento passageiro e passa a estruturar o ambiente com permanência, conforto e identidade, exatamente o que se espera do design de alto padrão no morar contemporâneo.












